Entrevista do Presidente do SPAC ao Diário Económico
Segunda, 22 Fevereiro 2010 14:31

A greve está mais na mão da TAP do que do sindicato 
In Diário Económico - 22-02-2010
 
Presidente do SPAC diz que há “acordo preliminar” com a administração da TAP que acusa de ser “pouco proactiva” no processo negocial.
Hermínia Saraiva

Cinco meses depois da greve de pilotos que lançou o caos no Aeroporto da Portela, levando ao

cancelamento de mais de uma centena de voos, as negociações entre o Sindicato de Pilotos de Aviação Civil (SPAC) e a administração da TAP estão longe de estar concluídas, tendo entrado na fase “em que surgem divergências”. A avaliação é de Hélder Raio Silva, presidente do SPAC, em entrevista ao Diário Económico, que diz que uma futura greve “está muito mais na mão da administração [da TAP] do que do sindicato”.
Hélder Raio Silva adianta que há “um acordo preliminar” nas questões ligadas ao plano técnico da prestação e utilização dos pilotos, mas que “falta encontrar um entendimento na forma como os pilotos vão ser compensados por um aumento de produtividade e é normalmente nessas fases que surgem as divergências”.
Hélder Raio Silva fala nos ganhos conseguidos pela “redução dos custos de exploração por via do aumento da produtividade dos pilotos, da redução de indemnizações aos passageiros, associada ao aumento da regularidade e da pontualidade das operações”. E garante que o que os pilotos estão “a dar em sede de negociação é muito valioso”.
Ainda assim, o presidente do SPAC recusa-se a avançar com o que chama de “justa contrapartida”. Em Setembro, o sindicato avançou para uma greve de dois dias, exigindo à administração da TAP a revisão do acordo da empresa (AE) e aumentos salariais que Hélder Raio Silva reconheceu, na altura, não estarem longe dos 9%. Agora o presidente do SPAC diz apenas que “esse valor não está perdido de vista”. E adianta que não faz sentido assinar o protocolo que prevê um aumento de 1,8% aceite pelos restantes sete sindicatos da TAP porque o mesmo “será analisado no contexto do processo” negocial do AE. Hélder Raio Silva, que acusa a administração da TAP de ser “muito pouco proactiva” no processo negocial, frisa que “o transporte aéreo é a vertente da TAP mais lucrativa”, pelo que “os pilotos não aceitam subsidiar a gestão ou itens de gestão que ponham isso em causa”.
Perto do final de mandato à frente da direcção do SPAC, que termina em Maio, este é o segundo acordo negociado com a administração da TAP. Em 2009, e ao fim de 16 dias de greve, o SPAC chegou a acordo com a administração do grupo TAP sobre o primeiro AE da PGA. “Este é um filho pródigo desta direcção e congratulamo-nos em verificar que é a própria administração, pela voz do engº. Fernando Pinto que reconhece que agora sim, existem regras de trabalho aceitáveis’ dentro da PGA”.

TRÊS PERGUNTAS A...

HELDER RAIO SILVA
Presidente do Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil

“Os aumentos são uma parte do acordo”

O presidente do SPAC, que termina o mandato em Maio, diz que não existe uma data pré-definida para terminar a negociação com a TAP.

Quanto valem para os pilotos os ganhos de produtividade conseguidos nesta negociação?
Entendo que me faça a pergunta dessa forma, mas isso é muito redutor. Os aumentos são uma parte do acordo. Temos várias áreas sobre admissões de pilotos, antiguidades, acesso a categorias, temos regulamentos de tempos de trabalho, temos contratação externa de equipamentos e tripulantes, segurança social e reformas… O que estou a dizer é que numa primeira fase negociamos tudo o que tem a ver com a disponibilidade para o trabalho dos pilotos, e como é óbvio, nesta fase de quantificação, queremos salvaguardar o justo valor dessa colaboração, disponibilidade flexibilidade.

E essa quantificação permite chegar ao aumento de 9,3% falado em Setembro?
O aumento de 9,3% tem a ver com os créditos que os pilotos consideram que têm a haver em relação à empresa. Porque os pilotos na última década têm contribuído com aumentos de produtividade e a cedência de condições de trabalho. O que estamos aqui a falar, este processo negocial, para já, está a incidir sobre mais valias que estamos mais uma vez a disponibilizar. São dois capítulos paralelos.

Até quando está disposto a prolongar este processo negocial? Tem uma data?
Não lhe posso dizer que seja uma ou duas semanas. Temos os nossos ‘timings’, os processos negociais quando são sérios não têm uma data para terminar. Um processo negocial, enquanto tem dinâmica, enquanto há vontade de negociar de parte a parte, prossegue. Sempre foi esse o posicionamento do sindicato e continuará a ser.